Conhecendo o Egito sem sair da cidade na Exposição: Egito Antigo – Do Cotidiano à Eternidade

O que você acha de aprender sobre uma civilização fascinante, conhecer seus costumes, seus Deuses, ver de perto uma pirâmide, tirar uma selfie com a Esfinge a ainda ver uma múmia de verdade sem precisar cruzar o Oceano? Todas essas experiências e muitas outras você pode vivenciar visitando a Exposição “Egito Antigo – Do Cotidiano à Eternidade”, que está no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBBSP) até o dia 11 de maio de 2020.

Vamos começar nossa visita?

Deusa Sekhmet (Filha do deus Ra)

O encantamento já começa desde a entrada, com a belíssima fachada do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBBSP),  que foi inaugurado em 2001, mas o prédio que ocupa é do início do século XX, quando foi construído para abrigar a primeira agência do Banco do Brasil em São Paulo e é considerado um patrimônio histórico, mesclando os estilos neoclássico e Art Noveau. Vale a pena prestar atenção nos seus detalhes arquitetônicos durante a visita como a porta do cofre, o teto, as luminárias, entre outros.

Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo
Fachada do CCBBSP

Agora falando da Exposição “Egito Antigo – Do Cotidiano à Eternidade”, logo no Hall de Entrada já somos surpreendidos com uma Réplica de 6m de altura da Pirâmide de Gizé.  Ao fundo temos um quadro com a foto da Pirâmide Original (que mede 146,7m de altura) e para tornar a visita mais divertida, é possível ver uma Grande Galeria no interior da pirâmide e tirar uma foto com seu rosto na Máscara de Tutancâmon, além de desvendar um enigma (que eu não posso contar aqui, para não estragar a surpresa), mas vale a pena a aceitar o desafio.

Réplica da Pirâmide de Gizé
Pirâmide Vista de Cima

A Exposição “Egito Antigo – Do Cotidiano à Eternidade” ocupa os seis andares do prédio do CCBBSP e reúne 140 peças originais vindas do Museu Egípcio de Turim, na Itália, considerado o segundo maior acervo egípcio do mundo e quem nos deu uma perfeita aula, nos conduzindo por essa viagem à cultura egípcia foi o Curador Pieter Tjabbes¸ que é apaixonado por arte desde a infância, por influência de seu avô que abria livros de arte e mostrava para ele desde pequeno. Achei uma dica excelente para incentivar as crianças a gostar de arte e não podia deixar de compartilhar aqui…

A visita começa no 4º Andar, na Seção Amarela (cor do Sol), que retrata A Vida Cotidiana dos egípcios, por meio de um vídeo e vários objetos daquela época. A cor amarela foi escolhida para representar o cotidiano por estar relacionada ao Sol, que traz vida para as plantas e também porque o Deus-mor era representado pelo Sol, além de estar associada ao ouro (cor da pele dos deuses). Nessa sala encontramos desde vasos, tigelas, até maquiagem, como o kohl (que era uma mistura preta aplicada no contorno dos olho pra proteger contra poeira, diminuir o impacto do sol e servir como estética e que era usado tanto por mulheres quanto pelos homens).

Vasos, representação do Cozinheiro e tigela
Detalhe do Kohl

Nessa Seção Amarela da Vida Cotidiana, também encontramos fragmentos de estátuas de reis e sapatos,  sendo que esse calçado era uma espécie de sandália pra entrar na parte sagrada do templo, lembrando que somente o faraó, seus familiares e sacerdotes que poderiam entrar, ao povo só era permitido observar do lado de fora na parte pública. A maioria dos objetos que estão nessa sala foram encontrado em tumbas, porque era costume colocar junto com o corpo do falecido tudo que a pessoa fosse precisar no outro plano e tanto poderia ser uma escultura quanto desenho, porque para os egípcios o desenho era a representação fiel daquilo, significando que existia de fato. Por isso são encontradas representações de comida, bebida, dos profissionais que precisariam ter (como cozinheiros e escribas),além de joias e estátuas do Casal Abraçado para que pudessem estar juntos na outra vida. E em virtude da quantidade de objetos nas tumbas, roubá-las era algo corriqueiro no Egito.

Estátuas de Reis e Sandália

Vamos agora para o  3º andar, onde está a Sala verde da Religião. Essa cor foi escolhida por representar a cor da pele de Osíris (Deus dos Mortos) e o tom do papiro (fabricado com uma planta conhecida como Nilo, que crescia na água e significava nova vida).  A religião permeia toda a história egípcia e é marcada por ser politeísta, com culto a vários deuses, desde as divindades maiores até as menores. Logo que entramos nessa sala, vemos Modelos de Templos¸ onde havia a prática dos cultos oficiais. Lembrando que os templos eram divididos em espaços públicos e sagrados (como mencionei anteriormente), sendo que logo na entrada (na parte pública) é comum ter uma praça com estátuas de deuses bem iluminadas, e à medida que vai adentrando ao templo, sua luz diminui quando chega mais perto da parte sagrada onde está o deus a quem aquele templo é dedicado e somente o sacerdote e o faraó podem entrar.

Vitrine dos deuses egípcios

Na visita  à Sala Verde – Religião também aprendemos que os Deuses Egípcios muitas vezes assumiam a Forma Animal, e nesse caso, o animal que representava determinado deus era adorado, considerado a reencarnação do próprio deus e até mumificado como forma de oferenda. Por essa razão, foram encontradas várias múmias de gatos em homenagem à deusa Bastet, múmias de cães para o deus Anúbis, de falcões para o deus Hórus e íbis para o deus Thoth.

Múmia de Animais
Múmias de Ibis e Falcão

Falando em gatos, eles viviam nos templos e eram tratados como deuses. Quando eram mumificados, quem vendia essas múmias eram os próprios os sacerdotes, e se a pessoa quisesse  que um pedido maior fosse atendido tinha que ofertar um pouco mais como o gato mumificado num sarcófago e também oferecer  ouro. Há rumores que muitos gatos foram mortos para serem mumificados mais rápido diante da alta  procura por oferendas e uma pesquisa do Museu de Turim, ao fazer RX das múmias descobriu que muitas dessas só tinham pedaços ou nada de animais…

Outra curiosidade que aprendemos na exposição é que no final do século XIX e início do século XX houve a chamada Egiptomania, que era um fascínio por tudo que se referia ao Egito. O que trouxe muita contribuição para as artes, cultura, literatura, arquitetura e diversas outras áreas. Mas que também teve um lado negativo, pois tiravam os tecidos das múmias para fazer poções magicas.

Continuando nosso tour pela Exposição Egito Antigo, no hall do 2º andar, encontrarmos a uma estátua belíssima da deusa Sekhmet, conhecida como leoa selvagem e filha do deus Rá. Diz a lenda que Rá ficou com raiva dos humanos e como forma de punição colocou sua filha pra destruir a humanidade, devorando todos homens, porém ele ficou com remorso, mas Sekhmet não queria parar porque adorava o sabor de sangue, então ele mandou dar a ela um balde de cerveja tingido de sangue, ela tomou, ficou bêbada e quando acordou no dia seguinte esqueceu da sua missão. Os cervejeiros de plantão vão adorar saber que foi a cerveja que salvou a humanidade.

Deusa Sekhmet

Ainda no hall do 2º andar, podemos observar vários objetos como Blocos de Pedras, com Estela que são escritos sobre os mortos, com cenas esculpidas, que contavam a história dessa pessoa. Vale lembrar que as pedras eram feitas em linha de produção (como as múmias de animais que comentei anteriormente) e depois que era gravada a história. Também encontramos ali uma Esfinge, que consiste num corpo de leão com a cabeça de humano e muitos  Fragmentos de Estátuas, como a do deus Ápis (cabeça de touro), a Estátua de Amenmose e a Cabeça de Sacerdote, entre outros.

Bloco de Pedra – Estela de Tutmés III

Agora estamos em um dos lugares mais esperados dessa Exposição, a Sala Azul da Eternidade e também da Escuridão (que fica no 2º andar).  A cor azul foi escolhida por representar a eternidade para os egípcios e também por ser a cor do lápis-lazúli, um mineral precioso muito importante para eles. E a Escuridão acontecia quando a deusa Nut engolia o Sol, também está ligada ao reino dos mortos e ao interior da tumba (que era bem escuro). Logo que entramos já vamos conhecer o Livro dos Mortos que era escrito em uma faixa de papiro, contendo várias rezas, e servia para proteger a alma da pessoa desde a passagem para o mundo dos mortos até o último julgamento. Esse livro aqui mede 3 metros e foi achado em uma tumba, mas poderia ser maior (o recorde encontrado foi de 14 m).

Livro dos Mortos

E falando em último julgamento, um dos critérios utilizados era o peso da alma, isso mesmo, a alma era pesada pelo coração e se estivesse mais pesado que uma pena de avestruz, a pessoa não se salvaria. Uma cena desse julgamento final é o que podemos ver nesse Detalhe do Livro dos Mortos.

Último julgamento em detalhe no Livro dos Mortos

É aqui também na Sala Azul da Eternidade que encontramos uma múmia humana (feminina) da 25ª dinastia: a múmia de Tararo.  A mumificação acontecia para proteger o corpo para continuar a vida após morte, mas no início não era assim, os corpos eram enterrados agachados e sem mumificar, só com o passar do tempo é que adotaram esse processo ao descobrir que quando se enterrava no deserto o corpo secava e ocorria a mumificação natural.

Múmia de Tararo

Falando um pouco mais sobre o processo de mumificação, ele consiste num período de 660 dias de mumificação com sais, sendo que as entranhas eram retiradas, tratadas, guardadas em vasos e colocadas junto na tumba, e o coração recolocado no corpo por ser considerado a casa da alma.  A princípio, só os faraós eram mumificados, depois os ricos e alguns sacerdotes. Os túmulos eram vigiados e protegidos porque acreditava-se que se acontecesse algo com a múmia ou ela fosse destruída, a alma também seria. Outra coisa para garantir a proteção na outra vida era fazer o caixão ou sarcófago em formato humano e pintar o retrato da pessoa e cenas do que ela fosse precisar, além de colocar pequenas estátuas e amuletos, formando uma mini tumba. Ah! Existe diferença entre sarcófago (que é de pedra) e caixão (que é de madeira) e muitas vezes sarcófago serve para abrigar o caixão.

Caixão Pintado
Detalhes da Pintura Interna

Continuando nossa visita, encontramos uma linha do tempo, com a História Egípcia, desde 3900 a.C (período pré-dinástico) até 395 d.C. (período romano) e também vários Elementos das Tumbas, como o Portão com cenas de quem estava enterrado ali e de tudo que ele precisaria no outro plano e a Mesa de Oferendas, onde as pessoas poderiam deixar suas oferendas e a alma viria buscar.

A Linha do Tempo do Egito Antigo

Também encontramos no  Hall do 1º andar, outros  Elementos das Tumbas como a Pirâmide de Khonsu,  que é o topo da Pirâmide, lembrando que  essas são vazias por dentro e os caixões são enterrados abaixo, a Porta Cega ou Falsa que era colocada contra a parede para que a alma pudesse passar por ali, enquanto esperava na tumba pelo julgamento final e a  Pedra que fecha a Pirâmide, que nesse caso é a Estela de Abkau, com escritas sobre o falecido e cenas de abraço, com comida e empregados, entre outras.

Os egípcios eram muito práticos, então quem tinha dinheiro já começava a construir desde cedo sua tumba para mostrar seu poder. Falando em tumba, vamos conhecer agora (ainda no  1º andar)  a representação da Tumba da Rainha Nefertari¸ que foi mulher de Ramsés II e desenvolveu um papel muito importante na governança  do país.  A réplica dessa tumba (que é considerada a Capela Sistina do Egito) foi feita com maestria e perfeição por Silvio Galvão.

Tumba da Rainha Nefertari
Detalhes da Tumba

Como já passamos pelo Térreo e conhecemos a Pirâmide de Gizé logo na entrada, vamos seguir para o Subsolo, onde encontramos a Simulação de uma Escavação para nos mostrar como é feito e como é importante do trabalho dos arqueólogos para desvendar nosso passado.

Simulação de Escavação
Detalhes da Escavação

Falando em desvendar o passado, vamos voltar um pouquinho na História, em 1798, Napoleão Bonaparte mandou invadir o Egito e fazer um mapeamento da região. Então mandou fazer livros grandes com gravuras retratando o que foi encontrado, apesar da possibilidade de haver algum exagero ou invenção, esses livros ajudaram muito. Ao todo são 20 livros com mais de 3000 gravuras, incluindo esculturas, monumentos, paisagens e objetos em geral. Ainda no subsolo, além da  Exposição de Gravuras do Egito Antigo, também há um livro eletrônico, no qual você pode navegar para conhecer mais dessas gravuras.

Exposição de Gravuras do Egito Antigo

E para fechar com chave de ouro nossa visita, vamos tirar uma Foto com a Esfinge¸ representada pelo corpo de leão (que incorpora a energia solar), com a cabeça do Rei, simbolizando a divindade deste (que é considerado o filho do deus Sol Ra). As esfinges eram colocadas na entrada das tumbas para garantir o ciclo solar na vida após a morte, ou seja, o renascimento.

A Esfinge e Eu

Vale lembrar que a Exposição “Egito Antigo – Do Cotidiano à Eternidade” está no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (Rua Álvares Penteado, 112 – Centro – São Paulo) até o dia 11 de maio de 2020, de quarta à segunda das 09h às 21h. A entrada é gratuita e os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria, mas somente se houver disponibilidade, então para garantir sua visita você já pode reservar a data e horário pelo site: https://www.eventim.com.br/artist/egito-antigo/

Agradeço sua companhia nessa visita e te espero na próxima postagem, onde volto a falar do Canadá, mais precisamente de Ottawa. Tenho certeza de que você vai se surpreender com as belezas desse lugar. Até lá!

Ottawa

2 comentários em “Conhecendo o Egito sem sair da cidade na Exposição: Egito Antigo – Do Cotidiano à Eternidade”

    1. Essa exposição está incrível mesmo!!! Com certeza é um aprendizado para todos nós!!!! ???

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