Descobrindo Piedade

Hoje quero te convidar para fazer um passeio diferente, um turismo rural misturado com cultura e até esporte náutico… Sua curiosidade deve estar a mil, mas calma que já vou te contar.

Você pode encontrar tudo isso na cidade de Piedade, que fica a aproximadamente 130km de distância da capital de São Paulo e está localizada na Região Metropolitana de Sorocaba.

Vamos começar nosso tour?

Portal de Piedade

Quem nos conduziu nesse tour foi a querida Guia Cida, através da Agência HCG da Isaura (https://www.facebook.com/hcgtur/?ref=br_rs), que nos contou vários fatos importantes e curiosos da cidade, além de nos mostrar lugares lindos.

Com a Guia Cida

A cidade de Piedade foi fundada em 20 de maio de 1840, no dia da inauguração da Capela de Nossa Senhora da Piedade (em homenagem à imagem “Pietá” encontrada por um mascate no ano de 1835).

A cidade já foi a maior produtora de cebola do Brasil, chegando a receber o título de “Capital da Cebola”, porém, atualmente, sua produção agrícola (que é a base da economia) é diversificada, incluindo o plantio de caqui, morango, atemoia, entre outros. E a cidade faz parte do Cinturão Verde de São Paulo, por conta de sua vasta produção de verduras e legumes.

Na época da colheita, sempre tem festa e muitos sítios trabalham com o “colha e pague”, no qual o visitante tem a oportunidade de conhecer a plantação, aprender mais sobre o cultivo e ainda colher os frutos diretamente do pé, pagando o que for levar. Entre os meses de abril e maio, por exemplo, é a época do Caqui e no Sítio Sakaguti, tem o “Colha & Pague do Caqui Fuyu”. Em julho, é a vez da colheita da atemoia e em novembro da ameixa no Sítio Tenório, entre outros.

Mas voltando a falar do nosso passeio, começamos nosso tour pelo Jardim Oriental, que é cuidado pelo clube japonês Kai Kan, e fica no Bairro da Liberdade, próximo à saída pra Tapiraí. E quem me acompanhou nesse tour de hoje foi minha família: meus pais (Pedro e Dalva) e minha irmã (Ane).

Família no Jardim Oriental
A Linda Vista do Jardim Oriental

Além dos detalhes orientais, o que também atrai visitantes para esse jardim é a Pedra do Elefante, que recebeu esse nome por lembrar bastante o animal. Dá só uma olhadinha na foto e depois me conta se lembra ou não…

Lembra mesmo um elefante….

De lá passamos pelo Portal do Kai Kan que é o Torii (um dos portais da cidade), cuja palavra significa “morada dos pássaros”, devido às aves se acomodarem no portal e usá-lo como poleiro. Vale lembrar que esse portal é de tradição japonesa, sinalizando a passagem entre o mundano e o divino, e costuma ser instalado na entrada de locais sagrados. O outro portal da cidade é o da primeira foto e em sentido à Ibiúna (mas vou falar dele mais pra frente).

E continuando nosso passeio, seguimos para o Sítio das Cerejeiras de propriedade do Sr. Gokithi  (também conhecido como Sr. Roque) que nos recebeu muito bem e nos deixou à vontade para contemplar a beleza do seu sítio.

Com a Guia Cida e o Sr. Gokithi

São mais de 1.000 pés de Cerejeiras (das espécies himalaia e okinawa)
que no inverno (geralmente no final de junho e meados de julho) florescem, nos proporcionando um espetáculo de encantar os olhos. A Cerejeira, além de ser a árvore símbolo do Japão (motivo pelo qual o Sr. Gokithi quis plantá-la para homenagear o país de seus pais), também é a árvore da Felicidade, e, segundo a lenda, você tem que abraçá-la para ser feliz. Eu não perdi tempo e já dei aquele abraço apertado na Cerejeira. Já fica a dica pra quando você encontrar uma no caminho.

Aquele abraço…
O Lago e as Cerejeiras….
No Caminho das Cerejeiras

Além das Cerejeiras, o Sr. Gokithi também plantou Ipê amarelo, que é a árvore símbolo do Brasil, como forma de homenagear o país. E assim que termina a florada das Cerejeiras, começa a do Ipê, deixando o sítio sempre lindo!!! E também tem plantação de morango em estufa para produzir o ano todo e Pés de Ginkgo-biloba, que eu já tinha ouvido falar, mas nunca tinha visto. Essa planta é famosa por ajudar na memória, reduzir tonturas, aliviar dores nos braços e pernas, entre outros benefícios que ainda estão em estudo.

Pé de Ginkgo-Biloba em crescimento

No Sítio das Cerejeiras também tem o Pé de Umê florado, que é um fruto muito consumido nos países asiáticos, mas ainda desconhecido no Brasil. Geralmente é consumido em conserva (ainda verde e com sabor azedo e marcante) ou em forma de licor e dizem que faz muito bem à saúde por conta de suas propriedades terapêuticas, como deixar o sangue mais fluido, o que reduz os problemas cardíacos e também inibe a formação de radicais livres. Enquanto não tem o fruto o passarinho vai aproveitando pra descansar entre as flores.

Pé de Umê repleto de flores…
Descanso do Passarinho no Pé de Umê

Saindo do Sítio das Cerejeiras, partimos rumo à Vila Élvio, uma pacata vila de casas brancas e azuis que nos faz viajar no tempo…

Tudo começou em 1935, quando o italiano Luiz (ou Luigi) Liscio, que já morava em Araraquara, veio pra Piedade (mais especificamente pro Bairro Santa Terezinha) e se encantou com a quantidade de tipos de árvores de madeira de lei que tinha nessa região, então comprou as terras e começou a fazer camas com essas madeiras, em especial as camas patente (feitas com molas), que foi um sucesso e eram vendidas para todo o Brasil.

A famosa Cama Patente

Mas para garantir a produção, o Sr. Liscio construiu uma usina para a geração de energia e água, até o carvão da queima das árvores era vendido para não ser desperdiçado. Como trouxe mão de obra italiana, resolveu construir as casas para os seus funcionários em azul e branco em homenagem à Itália e o nome da fábrica passou a ser Faixa Azul. Tudo estava caminhando perfeitamente bem, a Vila Élvio era autossustentável e tinha até cinema para a diversão dos moradores…

A Igreja da Vila
Construções da Vila Élvio
A Antiga Fábrica Faixa Azul (e atual Verde Brasil)

Porém, o filho do Sr. Liscio, chamado Élvio, faleceu com 17 anos, então a vila recebeu o nome de Vila Élvio para homenageá-lo. Depois da morte do filho, o Sr. Liscio ficou muito sentido e vendeu a fábrica para o Sr. Giácomo Baz que era italiano também, mas em 1975 uma lei transformou grande parte da área das madeiras no Parque Estadual do Jurupará (de Proteção Ambiental). Como não podia mais extrair a madeira (teve que fazer reflorestamento com eucalipto) e com o falecimento do Sr. Giácomo em 1975, a fábrica e a vila foram decaindo.  A esposa do Sr. Giácomo, D. Norma, assumiu a fábrica, mas não conseguiu restabelecê-la, atualmente o local abriga outra fábrica: a Verde Brasil – Mesas & Cadeiras, que fabrica esses produtos para restaurantes, bares, hotéis, entre outros estabelecimentos. D. Norma se mudou da vila, mas a casa onde eles moravam permanece conservada, porém não permite visitação.

A Casa da Dona Norma

Mas a Vila Élvio foi se adaptando ao tempo e recebe muitos turistas. E quando você for visitar, aproveite pra dar uma passadinha no Bar da Dona Maria, que é uma pessoa muito querida na Vila. Ela é muito atenciosa e nos mostrou a cama patente (da foto que coloquei acima).

No Bar com a Dona Maria
Na Vila Élvio

Outro lugar bem legal de se conhecer é o Vilas Boas, também conhecido como Bazar das Suculentas, que foi criado pela Sueli há dois anos e conta com mais de 200 espécies de suculentas em todas as suas fases (fiquei encantada com o “berçário”). E tem outras variedades de plantas também. Para saber mais detalhes é só olhar a página no facebook: www.facebook.com/Bazar-das-Suculentas-Piedade . Tenho certeza que você não vai resistir e vai querer levar uma…

Com a Sueli do Vilas Boas
Que lindo esse Berçário das Suculentas
Na imensidão das suculentas…

Bem perto dali, fica a Estação Boca do Monte, que é um restaurante num trem, desde o lado de fora sua decoração já chama a atenção. Como fui numa segunda-feira, estava fechado (vou ter que voltar outro dia pra conhecer), mas se você for de quinta à domingo ou feriado ele estará funcionando (das 11h30 às 15h). Vou te passar o site pra você saber mais detalhes: https://www.facebook.com/estacaobocadomonteoficial/. Depois me conta como foi.

Agora vamos para uma outra parte do passeio, do outro lado da cidade. Vamos pegar a Estrada Municipal Carolina Paes Granjeiro para chegarmos até o Píer de São Francisco,  que fica às margens da Represa de Itupararanga. Além de apreciar uma paisagem belíssima, você pode praticar vários esportes náuticos como canoagem, stand up paddle, andar de caiaque, entre outros. O Píer também oferece passeio de veleiro e curso de vela e conta com restaurante e camping. O funcionamento é de sexta à domingo, das 9h às 18h, a entrada custa R$ 20 e mais detalhes estão na página: https://www.facebook.com/piersaofrancisco.

Píer de São Francisco
Detalhe da Represa de Itupararanga

Continuando nessa Estrada Municipal Carolina Paes Granjeiro, um pouco mais à frente fica a Marina Rasa (http://www.marinarasa.com.br) , que também fica às margens da Represa de Itupararanga. Além da vista maravilhosa, também possui lanchonete, hospedagem e guarda de embarcações. Seu funcionamento é de terça à sexta das 8h às 17h e aos finais de semana e feriados das 10h às 19h.

Agora vamos nos despedir desse lado esportivo do passeio e vamos para a parte cultural. Vamos passear pelo Centro de Piedade,  vamos conhecer a  
Casa da Cultura, que tem uma arquitetura típica do século XIX, já foi cadeia e em 2015 foi tombada pelo Condephat.

Vamos passear também por outro lugar bem famoso de Piedade que é a Marginal das Cerejeiras (o nome verdadeiro da rua é Av Benjamin da Silveira,  mas ninguém a chama assim), que banha o Rio Pirapora e na época do inverno fica super charmosa, ganhando um colorido especial com a florada das Cerejeiras.

A Beleza da Marginal das Cerejeiras

Bem perto dali, na Praça Cel. João Rosa fica a  Igreja Matriz – Paróquia Nossa Senhora da Piedade,  que começou a ser construída em 1885 (no local onde a Capela de Nossa Senhora da Piedade havia sido construída e posteriormente demolida para a construção da atual)¸ mas só ficou pronta em 1916. Sua arquitetura é realmente muito bonita!

Igreja Matriz de Piedade

Essa Praça Cel. João Rosa, além de ser grande e bem cuidada, também abriga o Marco, o Monumento à Bíblia e o Coreto.  E do outro lado da rua fica a Casa do Artesão.

Coreto da Praça
Casa do Artesão de Piedade

Saindo ali do Centro, vamos continuar nosso passeio, passando agora pela Capela do Jacueiro, que fica ao lado da Paroquia Do Sagrado Coração de Jesus,  que recebeu esse nome por causa do Jacu – pássaro preto parecido com Corvo que era muito comum naquela área.

Capela do Jacueiro e o Sagrado Coração de Jesus

E se você tiver um tempinho sobrando pode aproveitar para respirar um ar puro, relaxar e apreciar a paisagem do Parque Ecológico Municipal.

Espero que tenha gostado do nosso passeio de hoje!!! Te espero na próxima postagem e para fechar com chave de ouro nosso tour, vamos visitar uma belíssima Fonte que fica perto do Portal de Piedade, na direção de Ibiúna!!!

Na Fonte…
Até Mais Piedade!!!

2 pensamentos em “Descobrindo Piedade”

  1. Lindo lugar Léa, na próxima ida a São Paulo, com certeza irei conhecer pessoalmente… foi muito bom os seus esclarecimentos e as votos maravilhosas. Um grande abraço.

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